- Exatamente, disse a raposa. Tu és ainda pra mim senão como um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. Eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo, E eu serei para ti unica no mundo...
(...)
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o principe:
- Por favor... Cativa-me! disse ela
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não tem mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olhos e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal- entendidos. Mas cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou
- Teria sido melhor voltares a mesma hora, disse a raposa. Se tu vens por exemplo as quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Ás quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: Descobrirei o preço da flicidade!
Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração... É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias, uma hora, das outras horas.

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